Dr. Daniel Ribeiro Lopes

Cirurgia Plástica

CREMERS 33481 - RQE 34958

Médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Católica de Pelotas – RS.

Residência Médica em Cirurgia Geral no Hospital de Clínicas de Passo Fundo (UFFS) – RS.

Residência Médica em Cirurgia Plástica no Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Cristo Redentor  (MEC / SBCP) – Grupo Hospitalar Conceição – Porto Alegre – RS.

Membro Especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

ARTIGOS

Harmonização facial é a nova febre em procedimentos estéticos.

De uns meses para cá, várias personalidades exibiram nas redes sociais e na imprensa os resultados do novo visual.

 

Diversas matérias têm sido publicadas na mídia, mas nem todas com informações confiáveis. Em muitas dessas publicações, as fontes que falam sobre harmonização facial não são médicos especialistas. Que profissional deve, afinal, realizar uma harmonização facial?

Profissional qualificado

Para responder essa pergunta, primeiro é interessante deixar claro que harmonização facial é um conjunto de procedimentos estéticos na face que inclui vários deles, dependendo da análise do profissional e do objetivo do paciente. Bichectomia, cirurgia de pálpebra ou blefaroplastia, implantes faciais, lifting facial, lifting de sobrancelhas, cirurgia de queixo ou mentoplastia, cirurgia de orelha, cirurgia de nariz ou rinoplastia, lifting de testa, além de aplicação de toxina botulínica e preenchimento com ácido hialurônico são alguns dos procedimentos que podem ser realizados na harmonização facial e todos eles são considerados ato médico, de acordo com a Lei 12842/13, mais conhecida como Lei do Ato Médico e devem, portanto, ser realizados somente por médicos especialistas e habilitados: cirurgião plástico e dermatologista, para alguns procedimentos.

Por que então vários outros profissionais realizam esses procedimentos? Essa é uma boa pergunta, mas que não temos a resposta. Aplicação de toxina botulínica e preenchimento facial, por exemplo, são procedimentos considerados minimamente invasivos, porém, qualquer complicação que haja pode trazer consequências graves para o paciente se não estiver nas mãos de um profissional que está habilitado para lidar com intercorrências: o médico especialista. Então, se invertermos pergunta, por que o paciente deve procurar um cirurgião plástico para realizar uma harmonização facial, teremos a resposta: porque é um profissional que estudou no mínimo 11 anos e está habilitado para realizar qualquer procedimento estético, assim como eventuais complicações que podem ocorrer.

 

Não existe milagre

Infelizmente na internet existem diversos profissionais médicos não especialistas ou não médicos que querem vender milagres. Recentemente a SBCP lançou a campanha: “Não existe milagre: existe ciência, responsabilidade e especialização” que tem objetivo de alertar as pessoas a não acreditarem em promessas de resultados milagrosas, anunciadas em fotos de antes e depois, já que a maioria delas são manipuladas e porque não é possível garantir resultados em medicina, uma vez que cada organismo responde de uma maneira, não só na cirurgia plástica, como em qualquer especialidade médica. Exatamente por isso, o Conselho Federal de Medicina proíbe que fotos de antes e depois sejam divulgadas.

Dados estatísticos

Não é difícil achar na internet matérias citando dados da SBCP sobre aumento de 255%, 180% e até 400% de harmonização facial de 2019 para 2020, o que é mentira! Como harmonização facial é um conjunto de procedimentos, não existe no Censo da SBCP qualquer menção a harmonização facial. O que temos são dados separados por procedimento. Então, se você ler algum dado estatístico de harmonização facial creditado a SBCP, é um dado falso. Lembrando que todos os dados estatísticos da SBCP estão disponíveis para consulta em nosso site http://www2.cirurgiaplastica.org.br/pesquisas

 

Não corra riscos

Como dito anteriormente, um cirurgião plástico demora pelo menos 11 anos para obter um título de especialista e poder atuar como cirurgião plástico e isso não é por acaso. Ao abrir mão de consultar um médico especialista habilitado para realizar um procedimento de cirurgia plástica, o paciente está colocando a sua saúde e vida em risco: desde uma intercorrência contornável, passando por necrose de tecidos, deformações ou ainda evoluir para óbito, como temos visto várias notícias recentes na imprensa.

 

Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

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Autoimagem: a insatisfação com o próprio corpo e a busca por procedimentos estéticos

Quando se tem expectativas condizentes com a realidade e com consciência dos riscos, procedimentos estéticos, cirúrgicos ou não, podem ser benéficos para a qualidade de vida e para a autoestima. Quando há idealizações, porém, realizá-los pode ser uma decisão perigosa

 

Por Gabriela Custódio

 

O Brasil foi o país onde mais se fez cirurgias plásticas estéticas em 2019, segundo dados mais recentes da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS, em inglês). Divulgada em 9 de dezembro de 2020, a pesquisa global da entidade aponta que, naquele ano, foram quase 1,5 milhão de procedimentos cirúrgicos no País. É o equivalente a 13,1% do total realizado em todo o mundo.

Lipoaspiração (15,5%), aumento de mama (14,1%) e abdominoplastia (10,4%) foram as cirurgias mais realizadas, seguidas por cirurgia de pálpebra (9,7%) e aumento de nádegas (7,7%). Quando a decisão por realizar esses ou outros procedimentos é tomada de forma responsável, com as expectativas condizentes com a realidade e com consciência dos riscos inerentes a toda intervenção, o resultado pode trazer benefícios para a qualidade de vida e para a autoestima dos pacientes.

Por outro lado, se houver idealizações ou se a pessoa está passando por problemas relacionados à saúde mental, realizar um procedimento estético, seja ele cirúrgico ou não cirúrgico, não deve ser a saída. “Há de se ter muito cuidado com os exageros, com a busca desenfreada por cirurgias e procedimentos estéticos”, arma a dermatologista Sílvia Helena Rodrigues (CRM 6742/RQE 2710), atual presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) – Regional Ceará.

Antes da realização de uma cirurgia plástica estética, é importante que o profissional busque identificar a capacidade do paciente de lidar com frustrações. Se o procedimento for “uma fuga”, o médico Salustiano Pessoa, titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e professor de cirurgia plástica da Universidade Federal do Ceará (UFC) arma que essa pessoa não deve passar pela operação.

Dessa forma, trabalhar com uma equipe multidisciplinar é importante tanto para o diagnóstico de transtorno dismórfico corporal, por exemplo, como para o momento da cirurgia. “Um psicólogo bem treinado com certeza tem muito mais condições de fazer esse diagnóstico do que eu. E ter uma boa enfermeira, um bom instrumentador que cuide bem dos ferros durante o manuseio é super importante. Um anestesiologista é fundamental”, arma.

A dermatologista Sílvia Helena Rodrigues acrescenta a necessidade de se fazer uma “avaliação crítica, individual” da anatomia, do formato do rosto e do corpo de cada paciente, além de ter senso estético “para que os resultados não corram o risco de ser inadequados”. Quando um procedimento vira moda na internet entre blogueiras e influencers, por exemplo, muitas pessoas buscam profissionais para realizá-lo.

“Um exemplo recente foi a procura pelo chamado fox eyes, no consultório. É aquela cauda de sobrancelha mais elevada, lembrando o olhar de raposa.

 

Muitas mulheres (estavam) querendo, mas não é em todas que caria bem. O formato de rosto é determinante para o bom resultado. Enfim, nem tudo fica bem em todo mundo”, arma a dermatologista.

O “grande problema” das redes sociais, para Salustiano Pessoa, é a banalização dos procedimentos e dos riscos que eles oferecem. “O cara acha que fazer uma lipoescultura, uma lipo HD, é como tomar uma cocacola na esquina. E não é”, afirma.

Questões éticas envolvendo procedimentos estéticos

Médicos não podem realizar parcerias, permutas ou sorteios nem utilizar fotos de “antes e depois” para vender resultados “surpreendentes”. Após a notícia do óbito da influenciadora digital Liliane Amorim, aos 26 anos, por complicações após uma lipoaspiração, a também influenciadora Thaynara OG publicou um vídeo nas redes sociais contando a própria experiência com complicações de uma cirurgia plástica estética. Em março de 2020, a maranhense realizou uma lipoaspiração de alta definição. Também chamada lipo LAD ou lipo HD, o procedimento, além de remover o excesso de gordura, modela e destaca os músculos.

“Acho que de tanto ver no Instagram, eu decidi por fazer aquela técnica famosa (a lipo LAD) que várias influenciadoras e blogueiras estavam fazendo”, arma. Ela conta que inicialmente recebeu a proposta de que o procedimento fosse realizado na forma de permuta — tipo de negociação em que influenciadores recebem produtos ou serviços em troca de publicações.

A prática sugerida fere o Código de Ética Médica do Conselho Federal de Medicina (CFM), assim como toda e qualquer forma de parceria ou sorteio. A publicação de fotos de “antes e depois”, tão presentes em redes sociais, também é vedada aos médicos. As normas visam “proteger a integridade dos pacientes e a boa prática médica”, explica Leandro da Silva Pereira, secretário-geral da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Pereira explica que o uso dessas imagens é “extremamente perigoso” na criação de falsas expectativas, uma vez que, além da manipulação das fotos, luz ambiente e posicionamento interferem na imagem. “Ademais, alguns profissionais mostram foto ainda no centro cirúrgico alegando resultados surpreendentes. Há que se considerar que um processo cicatricial demora no mínimo seis meses, ou seja, muita coisa vai mudar ao longo do pós-operatório”, complementa.

Em 2020, para conscientizar a população sobre o tema, a SBCP criou a campanha digital “Não existe milagre: existe ciência, responsabilidade e especialização”. As peças publicitárias mostram, por exemplo, o passo a passo de retoques digitais nas imagens e como a postura ou o ângulo alteram o resultado final. “Resultados reais não estão relacionados única e exclusivamente à cirurgia. Eles dependem, também, da adoção de hábitos saudáveis, acompanhamento multiprofissional e cuidados pós-operatórios”, diz uma das postagens da campanha.

 

Fonte: O Povo

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Álcool em gel aumenta casos de queimaduras

Médicos alertam para manuseio sem cuidado do produto inflamável indicado para limpar as mãos durante a pandemia

 

Por Cláudia Collucci

 

Em 3 de maio, um domingo, a estudante de enfermagem Giovanna Pavanelli, 21, chegou para um churrasco na casa da família, em Águas de Santa Bárbara (SP). Passou álcool em gel 70% para higienizar as mãos e foi para o quintal. Ao se aproximar do fogareiro, só se lembra de uma labareda vindo na sua direção.

“Minhas mãos ficaram em chamas. O fogo se espalhou para os braços, o tórax e as pernas. Só o rosto não queimou muito. Fiquei um mês internada com queimaduras de segundo e terceiro graus, tive que fazer enxertos de pele”, conta.

Ela ainda se recupera dos ferimentos. Dois dedos das mãos estão atrofiados.

Com a disseminação do uso do álcool em gel na pandemia para a higienização das mãos e a flexibilização da venda do produto mais concentrado (70%), centros de tratamento de todo o país têm registrado aumento de internações por queimaduras.

Em geral, são situações em que as pessoas higienizam mãos e braços com álcool e logo depois, distraídas, se aproximam do fogo: vão cozinhar ou acender churrasqueira, lareira, fogueira ou mesmo vela.

Dados inéditos da SBQ (Sociedade Brasileira de Queimaduras) de centros de tratamento de queimados de 19 estados mostram que, desde 20 de março, 445 pessoas foram internadas com queimaduras relacionadas ao alcool 70%na sua forma gel ou líquida.

O que mais chama a atenção dos médicos, no entanto, são os acidentes com álcool em gel, que inexistiam até então.

A data também coincide com uma resolução da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que flexibilizou a venda do álcool líquido 70%, mais inflamável, em embalagens de um litro (o que era vetado por norma de 2002).

Não há dados oficiais sobre queimaduras por álcool nos anos anteriores. Segundo o Ministério da Saúde, elas não são contabilizadas em separado. Os CIDs (Código de Internacional de Doença) englobam queimaduras por corrente elétrica, radiação, raios, exposição ao fogo e contato com uma fonte de calor ou substâncias quentes.

“Com mais exposição do álcool no uso doméstico, houve aumento brusco de queimaduras. O álcool em gel deve ser usado quando a pessoa estiver na rua. Em casa, a higienização deve ser feita com água e sabão”, diz o cirurgião José Adorno, presidente da SBQ.

A norma da Anvisa que flexibilizou a vendado álcool 70% tem validade de 180 dias – vai até setembro. Há uma pressão para que não seja prorrogada.

“A medida representou um dano à sociedade. É uma luta antiga retirar o álcool do ambiente domiciliar, fazer com que as pessoas entendam que o álcool, em gel ou líquido, é uma arma”, afirma Adorno.

Em nota, a Anvisa diz desconhecer o aumento de acidentes envolvendo álcool 70%, que a flexibilização da venda ocorreu pela falta de álcool em gel no mercado no início da pandemia de Covid-19 e que a medida vale até setembro.

Segundo Adorno, além do álcool 70% ser mais inflamável, os frascos grandes têm mais chances de explodir quando próximos ao fogo, causando queimaduras profundas, que deixam cicatrizes e problemas funcionais.

Em alguns centros de tratamentos de queimados, esses ferimentos já respondem por até 40% das internações, segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras. A taxa de óbito varia entre 5% e 8% dos casos.

Na Bahia, o centro do Hospital Geral do Estado, o álcool 70% representa hoje a maior causa das internações por queimaduras. Até 2019, a água quente liderava, seguida de um conjunto de líquidos inflamáveis, como etanol e gasolina.

As internações passaram de três casos em março para 17 neste mês. O cirurgião Marcus Vinícius Barroso, coordenador do centro, diz que chegaram muitos pacientes com graves queimaduras em razão do uso do álcool em gel.

Um deles foi um jovem que passou o produto nas mãos, nos braços e na roupa e foi acender uma churrasqueira. “A roupa dele pegou fogo. Ele chegou aqui com 40% do corpo queimado, queimaduras de terceiro grau. Tivemos que fazer umas dez cirurgias. Terá sequelas para o resto da vida.”

Para o médico, as pessoas automatizaram o uso do álcool em gel em casa e se esquecem que ele é um produto inflamável. “O álcool gel é a 70%. O álcool que a gente tinha antes em supermercado era 42%, 46%, que não é tão fácil de inflamar. Em casa, as pessoas só devem usar água e sabão.”

Para o cirurgião plástico Jayme Farina Júnior, coordenador da unidade de queimados do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, uma peculiaridade do álcool em gel é a chama ser praticamente invisível. “A pessoa só percebe quando a queimadura já está ocorrendo.”

Na unidade, cinco dos seis leitos disponíveis para internação chegaram a ficar ocupados com vítimas de queimaduras por álcool 70% a partir de março. Antes da pandemia, apenas um teve esse fim.

Os médicos se preocupam com as inovações envolvendo o álcool em gel. Barroso, da Bahia, diz que viu em supermercados embalagem do álcool em gel com spray pressurizado. “É um lança-chamas!”

Adorno, da SBQ, conta que existem escolas no país já planejando instalar totens com álcool em gel no retorno às aulas. “É totalmente condenável. Você está colocando um mobiliário explosivo na escola. É melhor instalar mais pias com água e sabão e educar as crianças a lavarem as mãos.”

Contato de crianças com álcool exige supervisão dos pais

A SBP (Sociedade Brasileira de Pediatra) emitiu um alerta nesta semana para os acidentes com álcool envolvendo crianças. Além do perigo das queimaduras por fogo, a substância também pode causar ferimentos nos olhos. Desde uma irritação até lesões mais extensas na córnea.

Na semana passada, uma mãe de Campinas relatou nas redes sociais que o filho de cinco anos teve a córnea do olho direito queimada, após ser atingida por um forte esguicho de álcool em gel.

“Ele chorou muito, corri lavar com água corrente, a princípio tratei como se fosse xampu ou sabonete e não melhorou, ele continuava chorando e até tremia de dor”, contou Camila Mendes.

A mãe afirma que o médico identificou uma extensa queimadura na córnea do menino e que ele precisou ser sedado para a retirada do resíduo. Ela relata que não sabia que o álcool em gel poderia causar todo esse estrago nos olhos.

O oftalmologista Rubens Belfort Neto, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), diz que tem aparecido casos leves de lesões nos olhos envolvendo álcool em gel.

“Ele fica meio ressecado e, quando a pessoas aperta o tubo, às vezes sai um jato. Também tem pacientes com medo do corona vírus que passaram álcool no rosto [que acabou caindo nos olhos].”

Segundo ele, o álcool machuca e remove o epitélio, a camada superficial da córnea. “Se tratado, costuma ficar bom. O epitélio cresce e fecha a ferida.”

A pediatra Sarah Saul, do departamento de segurança da SBP, orienta que frascos e vidros de álcool nunca devem estar ao alcance das crianças. “Sempre que for usar o álcool em gel tem que ter um adulto por perto supervisionando.”

 

Fonte: Folha de S.Paulo – Domingo, 26 de julho de 2020 – Saúde B2
Foto: Marcello Casal Jr

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